17/03/2015

Entrevista a Carlos Picado, novo diretor do ISCAA

Docente na área da Gestão e do Marketing, ex-vogal executivo da administração da Metro Mondego e antigo vice-presidente da Federação Portuguesa de Remo, Carlos Picado é o novo diretor do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro (ISCAA). Ensino mais centrado no aluno, otimização das competências existentes, projetar as competências do ISCAA para a comunidade, procurando desenvolver parcerias de âmbito nacional e internacional. Eis alguns dos desafios que assume para o caminho que agora começa a traçar.

Quer destacar e explicar, sucintamente, duas prioridades do seu programa de candidatura?
A primeira das prioridades passa por implementar na escola um modelo de organização e funcionamento que permita alinhar os recursos e as competências existentes com as atuais exigências definidas para o ensino superior politécnico, de acordo com o seu contexto específico. A necessidade simultânea de lecionar, investigar e desenvolver atividades associadas à prestação de serviços obriga necessariamente a repensar a forma como o ISCAA se encontra atualmente organizado. A otimização das competências existentes no ISCAA através de uma correta repartição de funções e tarefas é um puzzle que se revela de alguma complexidade mas que urge resolver a curto prazo. Por outro lado, é também importante garantir que os objetivos individuais dos diversos atores estejam devidamente alinhados com os objetivos institucionais.
Esta primeira prioridade é essencial para que se possa partir para o segundo grande objetivo desta candidatura: projetar as competências do ISCAA para a comunidade, procurando desenvolver parcerias de âmbito nacional e internacional. Neste campo, há um vasto trabalho a desenvolver, trabalho esse que deverá estar alicerçado no estabelecimento de acordos de parceria com entidades de natureza diversa. Não é razoável pensar-se que, no atual contexto, se possam desenvolver ações de forma isolada. A obrigatoriedade de encontrar parceiros que complementem as valências e competências que o ISCAA possui, é um fator chave para reforçar e consolidar a presença da Escola junto da comunidade.
No seu Plano de Ação assume-se a ambição de conseguir um ISCAA mais dinâmico e interveniente, quer a nível interno, quer junto da comunidade. Que quer dizer e como pretende concretizar esta ambição?
Os tempos atuais colocam novos desafios às instituições do ensino superior. Hoje em dia não é condição suficiente uma abordagem baseada apenas na lecionação e transmissão de conhecimento aos estudantes, sendo necessária a dinamização de outro tipo de atividades. Para que isso aconteça o trabalho tem de ser desenvolvido de dentro para fora ou seja, é necessário implementar uma cultura de escola baseada numa colaboração ativa entre todos os intervenientes: docentes, não docentes e obviamente os alunos, e destes para com a comunidade externa.
Uma presença mais ativa junto da comunidade exige também que haja um trabalho prévio de planeamento sobre a realização de um conjunto de ações que posicionem o ISCAA como um parceiro de proximidade, ações essas que devem ultrapassar em larga medida aquela que é a atividade central do ISCAA. Como exemplo, podemos elencar ações associadas a projetos de responsabilidade social, com particular destaque para aquelas que serão capazes de dar resposta às preocupações inerentes aos tempos que atravessamos.
Esta vertente deverá ainda envolver os antigos diplomados do ISCAA cuja presença efetiva no meio empresarial e na sociedade em geral permitem antever um vasto campo de intervenção junto da respetiva rede de contactos, aproveitando, nomeadamente, o seu know how e a sua experiência de vida.

Alunos ativos e interveninentes
No Plano fala ainda numa atividade do ISCAA mais centrada no aluno. Quer explicar?
Não consigo vislumbrar uma Escola que não tenha os alunos como pilar central das atividades que desenvolve. É neste sentido que defendo que os alunos devem ser parceiros ativos na gestão da escola e na sua vivência diária. Isto consegue-se incutindo nos alunos uma cultura de participação critica e ativa, incentivando-os a participar e a usufruir da sua condição, nomeadamente nos órgãos próprios para os quais são eleitos e também através do núcleo de estudantes ou de outras formas de organização que achem convenientes. É necessário desenvolver uma cultura de escola onde os alunos não se posicionem como agentes passivos com o único intuito de funcionarem como meros recetores de informação e conhecimento mas onde, pelo contrário, sejam parte ativa na vida da escolar, opinando, intervindo, desenvolvendo atividades, quer através da realização de eventos quer através do desenvolvimento de atividades de natureza diversa que ultrapassem o âmbito letivo.
É, no entanto, importante conjugar esta abordagem sem perder o foco naquilo que é essencial: a preparação dos alunos para a vida profissional, fomentando um conjunto de valores baseados no trabalho, no rigor, na competência e no mérito. Este aspeto deverá ser reforçado com a materialização de um incentivo específico à realização de estágios curriculares e profissionais.
O mix destas duas componentes permitirá que o ISCAA consiga formar alunos com competências do ponto de vista do conhecimento e do saber fazer, mas também com as necessárias competências transversais que lhes permitam percecionar e ter uma atitude face ao mundo mais condizente com os tempos que atravessamos.
Para além da participação noutras unidades de investigação, os investigadores do ISCAA trabalham no âmbito do Centro de Investigação em Marketing e Análise de Dados (CIMAD) e do Centro de Estudos e Peritagem em Auditoria e Contabilidade (CEPAC). Que estratégias e medidas se podem estabelecer para consolidar a investigação do ISCAA?
O CIMAD e o CEPAC são unidades de investigação aplicada, respetivamente na área do marketing research e análise de dados e na área da peritagem e auditoria contabilística.
Neste âmbito será dada prioridade à resolução de duas questões concretas. Uma primeira questão está relacionada com a necessidade de dotar essas unidades de recursos necessários ao crescimento da atividade. Uma outra questão encontra-se relacionada com a necessidade de associar a estas unidades instrumentos de motivação que se revelem atrativos para os atuais elementos e para outros que possam vir a ser parte integrante das mesmas.
No âmbito da investigação é necessário equacionar ainda o envolvimento do ISCAA noutras unidades, conferindo desta forma o devido enquadramento a atividades de investigação de outra natureza que já se encontram em desenvolvimento. Neste caso concreto, a prioridade será obviamente dada a unidades de investigação residentes na UA.

Aliar  necessidades de fora e competências de dentro
Como pode a sua unidade orgânica aproximar-se mais da sociedade, ir ainda mais ao encontro das suas necessidades ou antecipar questões estratégicas? No seu programa de ação fala numa maior aproximação à sociedade e às empresas, em mais ações em parceria. Em concreto, de que tipo de ações e parcerias podemos falar? Quer dar exemplos?
O ISCAA encontra-se inserido num ambiente muito atrativo do ponto de vista económico, sendo este composto por uma vasta quantidade de organizações de natureza diversa. Estou a referir-me especificamente ao setor empresarial mas também a organizações de cariz distinto (IPSS, Entidades Públicas, Associações Empresariais, entre outras). Por outro lado, o ISCAA possui valências nucleares (Contabilidade, Finanças, Marketing) que conseguem dar resposta a muitas das necessidades latentes nessas organizações. A aproximação à sociedade e às organizações passará obrigatoriamente pela capacidade de aproximar estas duas realidades – necessidades vs competências, procurando encontrar uma plataforma de entendimento que sirva os interesses de ambas as partes.
Assim, as ações de parceria resultarão essencialmente da conjugação de um  diagnóstico de necessidades com a realização de um investimento em comunicação destinado a promover e divulgar as diversas valências do ISCAA.
Em termos concretos, as parcerias poderão revestir-se das mais variadas formas, sendo de destacar as seguintes: desenho de oferta formativa para públicos-alvo específicos, prestação de serviços destinados a satisfazer necessidades específicas das organizações e desenvolvimento de estudos e projetos que materializem a vertente de investigação aplicada e que constituam soluções para problemas específicos.
Que proposta avança para reforçar a UA como universidade de referência internacional?
O contributo para o reforço da UA como referência internacional passa, essencialmente, por reforçar e desenvolver alguns projetos que, pela sua natureza, promovam contactos além-fronteiras.
Uma das vertentes de internacionalização está relacionada com a mobilidade de estudantes e docentes no âmbito do programa Erasmus. Neste âmbito, o ISCAA tem dado passos firmes, com um acréscimo significativo do número de estudantes envolvidos. Neste campo, a aposta passará por reforçar os meios necessários ao acolhimento de alunos, nomeadamente através da definição de uma oferta formativa ambiciosa mas realista do ponto de vista da sua implementação. O incentivo à mobilidade docente deverá ser uma constante, com a necessidade do mesmo ser feito de acordo com a disponibilidade de recursos.
Outra vertente de internacionalização será suportada pela capacidade de estabelecer parcerias no âmbito de oferta formativa em conjunto com instituições de outros países. E, finalmente, uma terceira vertente passará também pela capacidade de participar em projetos de âmbito internacional.
Nestas duas ultimas vertentes há muito trabalho por desenvolver, pelo que será necessário definir uma abordagem sistematizada ao problema, procurando otimizar os recursos necessários ao desenvolvimento destes processos. Será natural que o primeiro passo seja dado no sentido de se encontrarem parceiros que já detenham know how e redes de contactos, de forma a que se consiga implementar este processo num tempo relativamente curto.
Quer desvendar uma atividade que habitualmente realiza, para além do trabalho académico, e que o ajuda a recarregar as “baterias”?
À semana procuro frequentar regularmente o ginásio e aos fins de semana as minhas baterias são recarregadas no campo de golfe ou no meio da natureza através da prática de BTT.

Fonte: http://uaonline.ua.pt